Um smartphone pra chamar de meu

Conectadas desde que chegaram ao mundo, as crianças sabem usar a tecnologia melhor do que muita gente grande e, você querendo ou não, um belo dia vão pedir para ter seu próprio celular. Mas antes de presentear os filhos com um smartphone, cabe aos pais avaliar os perigos e ponderar sobre o uso exagerado do aparelho.



Pais, mães, se preparem: em algum momento seu filho vai pedir para ter um smartphone. Não dá para culpá-los, eles nasceram com os dedinhos prontos para deslizar pelas telas e nunca sequer imaginaram como era o mundo antes da internet. E se mesmo nós, adultos, não resistimos a passar grande parte do dia grudados nesse fascinante aparelho, dar uma educação digital aos nossos filhos torna-se uma tarefa tão desafiadora quanto necessária.


Dar um smartphone para uma criança tem um valor simbólico, de independência, já que ele representa a possibilidade de um acesso ilimitado a um mundo de comunicação e informação – e, muitas vezes, de perigos. Mas afinal, qual a idade certa para uma criança ter um smartphone para chamar de seu? “Ao invés de uma idade ideal, podemos pensar quais as demandas de cada fase para pesar a possibilidade de adquirir o telefone”, sugere a psicóloga Flávia Mendes.


Brincar off-line

Fato que a tecnologia permeia a vida das crianças de hoje desde bebês. No entanto, há algo de errado se o telefone celular toma o lugar de um brincar sadio. “Brinquedos e jogos possibilitam desenvolver as habilidades cognitivas, motoras e o raciocínio. É também na brincadeira que entra a criatividade, motor da construção da individualidade e da autonomia”, explica Flávia.


Mas a internet não precisa ser o inimigo: pais que se envolvem e usam a tecnologia a seu favor não deixam de lado o brincar junto e ainda podem – e devem – controlar o acesso das crianças a conteúdos mais adultos, tão presentes na rede. “Uma criança apreende o mundo adulto em pequenas doses, de acordo com o que pode assimilar. É nesse ponto que a proteção dos responsáveis se faz necessária, especialmente para os menores”, completa a psicóloga.


Combinado não sai caro

Mãe de dois pré-adolescentes, a executiva de contas Juliana Castilho viu no diálogo e numa série de combinados com os filhos a melhor maneira de deixá-los ingressar no mundo dos smartphones. Lucca, de 12 anos, tem seu próprio aparelho desde os 9, e a irmã Julia, de 9 anos, ganhou o seu há um ano.


Em casa, podem usar após a lição e os estudos, exceto em semanas de provas. No acordo feito entre eles, a mãe tem as senhas e pode ver os celulares sempre que achar necessário. Apagar conversas está proibido, assim como usar o aparelho dentro da sala de aula e adicionar pessoas nas redes sociais sem prévia autorização. “É preciso confiar na educação que você deu a seus filhos e saber que cumprirão com os combinados. De nada adianta colocar filtros, checar o celular semanalmente ou até diariamente se você não confiar neles”, ressalta.


Substituto

Atire o primeiro celular quem nunca usou um joguinho ou uma musiquinha para entreter os pequenos e ter uns minutos de sossego. Por mais que às vezes pareça irresistível recorrer à ajuda do aparelho, o uso indiscriminado do celular atrapalha, sim, a socialização – e não só das crianças, mas da família toda.


“A gente está deixando para lá o contato humano e estimulando o contato com o objeto”, defende a orientadora educacional e coordenadora pedagógica Luciane Rodrigues. “Os pais se sentem culpados pelo excesso de trabalho e, num mecanismo de compensação pela ausência, oferecem aos filhos um smartphone, que os substitui em algumas funções, como dar atenção, por exemplo.” Para ela, o problema está no excesso e na utilização impensada, sem antes passar por uma reflexão e uma preparação da família.


Quando os pais se perguntam as razões para dar um smartphone ao filho, quando avaliam sua maturidade para usufruir daquela comunicação, eles certamente se sentem mais à vontade em sua decisão de entregar à criança mais do que um simples aparelho eletrônico, mas um sinal da sua autonomia.


Fique de olho!

Mesmo em casa, sob nossos olhos, uma criança com um smartphone nas mãos pode não estar segura. Conheça alguns perigos da rede e cuidados que podem ser tomados.


Exposição excessiva - Muito cuidado com o que os pequenos compartilham nas redes sociais. Fotos e marcações podem deixar escapar informações como escola onde estudam, lugares e horários que costumam sair. Determine nos aplicativos quem pode visualizar as postagens. Conversar sobre os riscos da superexposição também é válido.


Conteúdos impróprios - Cheio de grupos de familiares e amigos da escola, o WhatsApp parece inocente, mas os conteúdos de piadas e imagens recebidas podem ser impróprios e ofensivos para crianças. Como o aplicativo não possui filtros, cabe aos pais autorizar seu uso apenas quando acharem adequado.


Cyberbulling - Violência em forma de 'brincadeiras', o bullying transcendeu o horário das aulas e chegou à internet, afetando crianças e adolescentes mesmo em seus lares. Os responsáveis devem ficar atentos a mudanças de comportamento e manter diálogo constante com os filhos e com a escola.


Criminosos virtuais - As redes sociais são ótimas para quem quer fazer novos amigos, mas também favorece o contato com gente mal-intencionada. Às vezes buscando atenção, crianças dão abertura a desconhecidos e podem cair em golpes e armadilhas. Para prevenir, reforce a proximidade e a boa e velha conversa entre a família.


Matéria originalmente publicada na Revista BE em 2017.

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