Trabalho compartilhado

O home office tem muitas vantagens – trabalhar de pijama é uma delas –, mas pode bater uma solidão e até mesmo te deixar longe de contatos profissionais interessantes. Os coworkings, que estão pipocando na região, podem ser a solução para quem quer continuar dona dos próprios horários e, ao mesmo tempo, fazer networking.



A princípio, parece um sonho: montar a própria rotina, não precisar sair de casa, não se preocupar com o look do dia... Trabalhar em esquema de home office pode funcionar bem para quem tem muita disciplina, mas, em algum momento, a falta de interação com outras pessoas e as distrações podem te fazer buscar uma alternativa. E não adianta querer nos enganar: vai dizer que as pausas para visitar a geladeira, assistir seu reality show preferido e os filhos pedindo atenção, caso tenha, não são mais frequentes do que você gostaria?


Tudo bem, você não está sozinha. É por isso mesmo que os coworkings se tornaram os queridinhos de freelancers. Esses lugares oferecem estrutura física necessária para o trabalho - como mesa, internet, sala de reuniões e, às vezes, muito mais - e, de quebra, criam um clima perfeito para o networking. Esses benefícios têm atraído profissionais autônomos e feito crescer a busca por esse modelo de trabalho. De 2015 para 2016, houve um crescimento de 52% no número de coworkings no Brasil, com 378 espaços ativos, segundo o Censo Coworking Brasil 2016.


Tamanha popularização está relacionada a um fenômeno atual: a flexibilização do trabalho, explica Carla Diéguez, doutora em Ciências Sociais e especialista em Sociologia do Trabalho. “As pessoas utilizam esses espaços para terem acesso à infraestrutura, mas, principalmente, pela rede de contatos que lhes poderá render futuros trabalhos. O autônomo precisa se ‘vender’ e os coworkings são bons ‘mercados’”, afirma.


Modelos diversos

Em Sorocaba, o casal Ana e Marcio Bertasso transformou um estúdio de produção musical em espaço para coworking a pedido dos frequentadores, que achavam o lugar tão bacana que queriam passar mais tempo por lá. “Achamos que seria um diferencial apostar num pegada menos corporativa, mas com infraestrutura de qualidade. Todo espaço aqui vira um ponto de trabalho: sofás, mesas de café, banquetas nos balcões do bar, mesas ao ar livre”, resume Bertasso.


Com foco nas prováveis parcerias entre os frequentadores, o arquiteto Alex Duque montou um coworking, em Votorantim, no qual oferece planos trimestrais. A ideia do proprietário é que as pessoas sejam mais ‘fixas’ e isso gere networking e troca de clientes.


Já a empresária Juliana Agostinho também criou seu próprio espaço de trabalho depois que se tornou mãe. Ela queria continuar a trabalhar sem abrir mão de estar perto do filho Davi, hoje com 6 anos. A ideia de viver as duas situações de forma harmônica fez surgir um coworking familiar. Em um sobrado em Sorocaba, os pais trabalham no primeiro andar (onde as crianças são proibidas de entrar) e os filhos ficam no térreo, em uma sala grande com acesso a um quintal arborizado, onde acontecem atividades supervisionadas por monitoras.


“Não é preciso cortar o vínculo durante o horário comercial. Quando têm um tempinho, os pais podem descer e participar de alguma brincadeira com os filhos”, conta Juliana.

Claro que nem tudo é perfeito: na lista de "contras" ao usar um escritório compartilhado está a falta de silêncio e de privacidade. O empresário Laion Camargo frequenta um desses espaços, em Sorocaba, cerca de duas vezes por semana. “O coworking ainda peca quando há necessidade de silêncio absoluto”, revela. Porém, para ele, as vantagens ainda fazem com que valha a pena.“A energia e a troca de experiências contam muito. Os frequentadores geralmente estão abertos a compartilhar boas ideias”, acredita. E ter alguém para comentar o episódio da série que você assistiu ontem é sempre um ponto positivo.


Matéria originalmente publicada na Revista Flamí em 2016.

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