Por uma vida mais zen

Com um futuro promissor no mercado financeiro, a jovem Camilla Monteiro trocou o emprego formal para seguir uma carreira apaixonada no mundo da ioga.



Aos 23 anos, idade em que a maioria dos jovens ainda está se formando na faculdade e procurando o emprego dos sonhos, a paulista Camilla Monteiro já teve tempo de construir uma carreira bem-sucedida no mercado financeiro e a trocar por outra menos convencional e mais apaixonada: a ioga.


Já no primeiro ano do curso de Relações Internacionais, com 19 anos, Camilla começou a estagiar em um banco e logo foi identificada como um dos chamados ‘jovens talentos’, sendo efetivada após seis meses de trabalho. Mais seis meses e um novo aumento no salário. “Eu trabalhava na área de inovação, cuidava de projetos bacanas, viajava, ganhava bem, tinha um plano de carreira. Era um emprego para a vida toda, se eu quisesse”, lembra.


Perto da data de se formar, depois de três anos de rotina intensa entre faculdade e trabalho, surgiram os questionamentos pessoais. “Eu olhava para o lado, para todos aqueles executivos, e me perguntava se era aquilo que eu queria para mim. Eu sentia que a vida estava passando e eu não estava vivendo”.


Como a ioga já fazia parte da sua vida desde os 13 anos - mesmo em época de provas na faculdade e cobranças no emprego, nunca deixou a prática de lado -, apareceu a oportunidade de dar aulas para algumas amigas, no curto tempo que sobrava. “Tinha poucos alunos, mas foi meu primeiro passo nesse mundo”.


O pedido de demissão não demorou a chegar. A princípio, os chefes acharam que Camilla iria para um banco concorrente. “Expliquei que o que eu buscava era uma mudança de vida. Eles entenderam que não havia como competir com isso e saí de lá superbem, sem inimigos”.

Mas ela já tinha um plano – e uma passagem comprada: partiria para Barcelona, na Espanha, poucos dias após a festa de formatura. A ideia inicial era passar dois meses fazendo um curso de formação de ioga na cidade, mas a identificação com a professora indiana foi tão forte que Camilla foi convidada a conhecer seu Ashram – uma espécie de monastério – na Índia. E lá foi a jovem recém-formada, sozinha. Foram dois meses de intercâmbio cultural intenso em meio à família de sua guru. "Como eu já era certificada", conta Camilla, "tive a oportunidade de dar aulas de ioga junto com minha professora, o que me deu segurança para a minha própria carreira”.


De volta

No fim de 2013, voltou ao Brasil e, em menos de um mês, suas aulas no Parque Ibirapuera já tinham mais de 20 alunos. Mas uma nova viagem surgiu, em abril de 2014, desta vez para o Quênia. Camilla se juntou ao Africa Yoga Project, programa que se prepõe a mudar a perspectiva de vida de comunidades carentes por meio da ioga. “Foi incrível, eu saí de lá transformada”, afirma. O trabalho voluntário incluiu desde arrecadar fundos para a viagem até formar novos instrutores de ioga no país.


Empolgada com os resultados do projeto, retornou para casa decidida a implantar um programa semelhante no Brasil. “Antes eu achava que ioga era coisa de elite. A viagem derrubou essa ideia e me fez acreditar que qualquer pessoa pode praticar”, admite.


Em junho, Camilla pôde dar a primeira aula de seu projeto, o Ioga Para Todos. Em parceria com a ONG Vida Corrida e com o apoio de algumas empresas, ela comemora o início do curso de ioga para crianças carentes do Capão Redondo, em São Paulo.


Se houve arrependimento por ter feito uma mudança tão radical na vida? “Jamais. É recompensador ter esse contato com as pessoas. A ioga proporciona uma troca tão sincera, tão única, entre instrutor e aluno, que não consigo imaginar qual outra atividade me deixaria realizada assim", completa a garota com a sabedoria de quem viveu o que fala. Namastê, Camilla.


Matéria originalmente publicada na Revista Bianchini em 2014.

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